Maranhão e Bahia lideram conflitos envolvendo comunidade pesqueira

Quatrocentas e cinquenta comunidades pesqueiras, de 16 estados, estavam envolvidas em conflitos entre 2020 e 2024. As atividades de empresas e pessoas particulares são o principal motivo, segundo o relatório lançado nesta terça-feira (1º) pelo Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadores.
O levantamento descobriu mais 48 novos conflitos e atualizou os dados de outros 37 que já eram conhecidos desde 2015. Os estados com mais registros são Maranhão e Bahia.
Mais da metade das comunidades de pescadores não têm a situação fundiária em processo de regularização. Os conflitos mais relatados pelos pescadores são especulação imobiliária, privatização de áreas e negligência de direitos econômicos e sociais.
A pescadora Helena Ivalda, de Macaraipe, em Pernambuco, relata o medo por causa da pressão de um fazendeiro, que cercou e colocou câmeras perto da praia.
O relatório destaca a destruição de habitats e a redução da quantidade de pescados, inclusive com sumiço de espécies, ou seja, tem peixe que não aparece mais.
A situação impacta na perda da cultura tradicional, dos recursos naturais, do acesso aos territórios e a diminuição da renda familiar.
O educador popular do Conselho Pastoral Francisco Nonato diz que as comunidades vivem em equilíbrio com a natureza.
Quase 90% do pescado que é consumido nacionalmente vem dessas comunidades. Você não consegue corresponder justamente pelo perfil que ela tem, que ela degrada o meio ambiente, degrada dos estoques pesqueiros. Ali você está servindo cifra, lucro. Diferente da perspectiva das comunidades pesqueiras.
Noventa e sete por cento dos pescadores responderam à pesquisa que já percebem o impacto das mudanças climáticas.





