Fluxo da Cracolândia retorna ao centro após operação policial

O fluxo de usuários de drogas na região conhecida como Cracolândia voltou à região central da capital paulista nesse domingo (9). Na noite de sábado (8), o local foi alvo de uma operação envolvendo a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar (PM). A ação fez os grupos se deslocarem para debaixo de um viaduto próximo à Marginal Tietê. Mas, já no domingo, eles deixaram o local e voltaram a se dispersar pelas ruas do centro.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a PM acompanhou o movimento de retirada dos usuários.
Para o psiquiatra Flávio Falcone, idealizador do projeto Teto, Trampo e Tratamento na Cracolândia de São Paulo, há uma evidente intenção do Poder Público de expulsar os usuários de drogas e o comércio da região, favorecendo a especulação imobiliária.
“Eu acho que é de propósito. Inclusive, eu acho que eles queriam mesmo tirar as lojas da [Rua] Santa Ifigênia [conhecida pelo comércio de eletrônicos] para construir uma coisa mais sofisticada no lugar. O fluxo na região sempre foi usado como forma de desvalorizar os imóveis e favorecer as empreiteiras que vão comprar esses imóveis, e são parceiras da prefeitura. [Dessa forma,] o centro vira um local onde a pobreza não cabe mais. Essa é a real questão”, aponta.
Ele avalia que medidas como as comunidades terapêuticas e a abstinência zero, que são adotadas pelos programas de saúde do governo do estado e da prefeitura, não resolvem o problema de vício dos usuários.
Para a psicóloga e redutora de danos Maria Angélica Comis, seria necessária a instalação de um centro para apoio a esses usuários, próximo aos chamados fluxos, para um cuidado maior.
“Pensando desta maneira, o que a gente verifica é que o Poder Público não sabe lidar com essa situação. Eles ainda não entenderam que é fundamental que se coloque um centro de convivência na região central para as pessoas que usam drogas. Entender que dispersar não mudou nada, dispersar só pirou, tanto pros moradores, como para os comerciantes, quanto para as próprias pessoas que usam drogas."
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, já afirmou publicamente que tem a intenção de mudar a sede administrativa do governo do estado, que atualmente fica no Morumbi, zona sul da capital, para a região central, como uma forma de revitalizar a área e resolver o problema do fluxo de usuários da Cracolândia.
A SSP-SP afirmou ainda que as forças de segurança, em atendimento às inúmeras solicitações de moradores, trabalhadores e comerciantes locais, continuam atuando na região para preservar a segurança e a ordem pública, por meio de ações de liberação de vias e requalificação dos locais.
Ouça na Radioagência Nacional:
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

