Estudantes fazem ato em São Paulo contra corte em políticas de educação

Manifestação de estudantes em São Paulo faz parte da Jornada de Lutas da Juventude
Estudantes protestaram hoje (17) na capital paulista em defesa da educação. O ato teve início às 17h na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, e seguiu, bloqueando o sentido centro da Rua da Consolação, até a Praça do Patriarca, que fica ao lado da sede da prefeitura. A atividade faz parte da Jornada Nacional de Lutas da Juventude, que ocorre em agosto com ações em diferentes cidades. Entre as reivindicações apresentadas, estavam a garantia do pagamento de bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o fim das mudanças no passe livre estudantil na cidade de São Paulo.
“Tiramos este mês para construir diversas atividades, atos, paralisações, manifestações que têm o mote da defesa da educação pública”, disse a estudante de Direito Nayara Souza, presidenta da União Estadual de Estudantes de São Paulo (UEE). Na semana passada, as mesmas entidades estudantis organizaram a ocupação da Câmara Municipal em São Paulo contra os projetos de privatização do governo de João Doria e os cortes no passe livre. “[Escolhemos] agosto porque tem o dia do estudante e também pela UNE [União Nacional dos Estudantes] completar 80 anos”.
Passe livre
As mudanças no passe livre estudantil foram divulgadas em julho pela prefeitura. Originalmente, a gratuidade, regulamentada em 2015, previa uma cota igual ao número de dias letivos nas instituições de ensino – normalmente 24 por mês –, além de passagens destinadas a atividades extracurriculares. Cada cota gratuita tinha limite de oito embarques por dia, a serem feitos no período de 24 horas.
Agora, as cotas gratuitas de passagens passaram a ter um limite de 48 por mês, e com uso restrito a um período de duas horas cada uma, contadas a partir do registro da primeira utilização. Na prática, o aluno poderá usar uma cota para ir à escola – com possibilidade de usar quatro ônibus diferentes – e uma para voltar para casa. Procurada pela reportagem, a SPTrans informou que “a medida garante ao passe livre a mesma finalidade do bilhete único do estudante, ou seja, o acesso à educação”.
Para o estudante do 3°ano Isaac Santos, que faz parte da União Paulista de Estudante Secundaristas (Upes), a medida vai ser sentida mais com a aproximação do fim do mês. “Eu sou da zona norte e estudo aqui no centro, levo mais de uma hora. Além disso, eu ajudo a organizar os grêmios estudantis e o passe facilitava para ajudar outras escolas a se organizarem”, explicou.
Com a redução das cotas, Santos disse que também tem mais dificuldades de frequentar atividades extracurriculares. “A educação não está só na sala de aula. É uma forma de a gente acessar a cidade, as bibliotecas, os teatros. Eu ia ao teatro toda quinta, agora já não dá mais”.
Pós-graduação
Representantes da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) também participaram do ato e destacaram a ameaça de cortes nas bolsas do CNPq. Karol Rocha, diretora da entidade, disse que os cortes afetam a produção de ciência, tendo em vista que, segundo a associação, 90% da pesquisa no país é feita por pós-graduandos.
“Todo corte no Ministério de Ciência e Tecnologia afeta a produção de ciência no país. A gente tem informação de que o último mês que a gente vai receber bolsa é este. É um setor primordial para o desenvolvimento do país”, disse.
Estudantes da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) também divulgaram nota em que criticam os cortes das bolsas de fomento à pesquisa. “Cerca de 60% dos pesquisadores têm bolsa CNPq/Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior], o corte, redução ou atraso no repasse dos valores significa substantivo risco para a manutenção da excelência acadêmica dos programas de pós-graduação”, diz o texto. A nota destaca ainda a dificuldade dos estudantes em se manterem.
Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações informou que o ministro Gilberto Kassab, e o presidente do CNPq, Mário Borges, tiverem reunião recente e debateram o tema. “Recursos para o pagamento das bolsas para o mês de agosto estão assegurados e o ministério trabalha junto à equipe econômica pela recomposição orçamentária e normalidade nos repasses do órgão nos próximos meses”, diz a nota.


