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Internacional

Itália pede oficialmente a Malta que permita desembarque de imigrantes

Da Agência EFE
Publicado em 10/06/2018 - 17:22
Roma
Agência EFE

A Itália pediu oficialmente a Malta neste domingo (10) que abra seus portos para salvar os 629 imigrantes que estão a bordo do navio Aquarius da ONG francesa SOS Méditerranée, pois considera que "a ilha não pode continuar olhando para o outro lado".

Os ministros italianos do Interior, Matteo Salvini, e de Infraestrutura e Transportes, Danilo Toninelli, publicaram um comunicado conjunto no qual explicaram que a central operacional da guarda costeira italiana "escreveu reiteradamente às autoridades maltesas para que, pela primeira vez em muito tempo, assumissem suas responsabilidades".

"É nossa intenção que responda oficialmente ao nosso pedido de abertura de seus portos para salvar centenas de náufragos presentes no Aquarius", acrescentaram os ministros italianos na nota.

Salvini, que também lidera o partido de extrema-direita Liga (antiga Liga Norte), e Toninelli, do Movimento 5 Estrelas (M5S), escreveram que "a ilha não pode continuar olhando para o outro lado quando se trata de respeitar convenções internacionais precisas em matéria de proteção da vida humana e de cooperação entre os Estados".

"O Mediterrâneo é o mar de todos os países banhados por ele e não é possível imaginar que a Itália continuará enfrentando este fenômeno gigantesco sozinha. Assim, pedimos ao governo maltês que acolha o Aquarius para um primeiro auxílio aos imigrantes a bordo", acrescentaram Salvini e Tonielli.

No comunicado, os dois ministros asseguram que a Itália "continuará salvando vidas humanas, enquanto outros se equivocam".

Em outra nota oficial, o ministério do Interior de Malta explicou que "o resgate do navio Aquarius aconteceu na Zona Líbia de Busca e Resgate e foi coordenado pelo Centro de Coordenação de Resgate (RCC, na sigla em inglês) em Roma" e, por isso, "o RCC de Malta não é competente neste caso, nem coordenador".

Enquanto isso, o barco da SOS Méditerranée se encontra a 43 milhas de Malta e comunicou que, por enquanto, só sabe que "as autoridades SAR (das operações de busca e resgate) maltesas foram contatadas pelas autoridades SAR italianas para que se encontre a melhor solução para o conforto e a segurança das 629 pessoas que estão a bordo" do Aquarius.

Malta

O Ministério do Interior de Malta afirmou neste domingo que não é de sua competência a situação do navio Aquarius da ONG francesa SOS Méditerranée, que está com 629 imigrantes a bordo, já que o resgate aconteceu em uma zona marítima coordenada pela Itália.

Em comunicado, o governo de Malta respondeu assim ao pedido por parte da Itália para que se responsabilizasse pelo desembarque dos imigrantes a bordo do Aquarius, que, neste momento, está a pouco mais de 40 milhas do litoral maltês.

"O resgate do navio Aquarius aconteceu na Zona Líbia de Busca e Resgate e foi coordenado pelo Centro de Coordenação de Resgate (RCC, na sigla em inglês) em Roma", diz a nota do Ministério de Interior e Segurança Nacional de Malta.

"O RCC de Malta não é competente neste caso, nem coordenador ", acrescentou o governo da ilha.

Em ocasiões anteriores, Malta já havia rejeitado responsabilizar-se pelo desembarque de navios com imigrantes apesar do pedido das autoridades italianas, como no caso da ONG espanhola Open Arms.

Por sua vez, o ministro do Interior italiano, Matel Salvini, publicou em suas redes sociais que, "a partir de hoje, a Itália começa a dizer 'não' ao tráfico de seres humanos" e à imigração ilegal.

"No Mediterrâneo existem embarcações com bandeiras de Holanda, Espanha, Gibraltar e Grã-Bretanha. Há ONGs alemãs, espanholas, e Malta não acolhe ninguém, a França os rejeita na fronteira e a Espanha defende suas fronteiras com armas, ou seja, toda a Europa está preocupada com seus interesses", escreveu Salvini, que também é líder do partido de extrema-direita Liga, a antiga Liga Norte.

A SOS Méditerranée escreveu no Twitter que, por enquanto, só sabe que "as autoridades SAR (de operações de busca e resgate) maltesas foram contatadas pelas autoridades SAR italianas para que se encontre a melhor solução para o bem-estar e a segurança das 629 pessoas que estão a bordo" do Aquarius.