Mães deslocadas de Gaza sofrem para cuidar de seus recém-nascidos
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Rana Salah, uma mãe em Gaza, embala a filha Milana, de um mês, em seus braços, em uma tenda sufocante dos desabrigados, e fala da culpa que sente por ter trazido a menina para um mundo de guerra e sofrimento.
"Se dependesse de mim, eu não teria engravidado ou dado à luz durante a guerra, porque a vida é completamente diferente; nunca vivemos essa vida antes", disse no acampamento em Deir al-Balah, na região central da Faixa de Gaza.
"Já dei à luz duas vezes e a vida era melhor e mais fácil para mim e para a criança. Agora, sinto que fiz mal a mim mesma e à criança, porque merecemos viver melhor do que isso."
Milana nasceu em uma tenda hospitalar por cesariana, devido a complicações na gravidez de Salah. A família não pôde voltar para casa por causa do conflito e, em vez disso, acabou se mudando de uma tenda para outra.
Milana é um dos cerca de 20 mil bebês que nasceram em Gaza desde o ano passado, de acordo com estatísticas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
A guerra atual, um episódio particularmente mortal no conflito israelense-palestino de décadas, foi desencadeada em 7 de outubro de 2023, quando militantes do Hamas atacaram Israel, matando 1.200 pessoas e tomando cerca de 250 reféns, segundo os registros israelenses.
Em resposta, os ataques aéreos e de artilharia israelenses reduziram grande parte do enclave palestino a escombros e mais de 41.500 palestinos foram mortos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza. A maioria dos 2,3 milhões de habitantes de Gaza foi deslocada.
Risco de infecção
Salah usa um papelão como leque a fim de refrescar o ambiente para Milana e diz que o calor faz mal à pele do bebê.
"Em vez de voltarmos para casa, continuamos nos mudando de uma barraca para outra, onde as doenças estão espalhadas e a água contaminada."
A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que os serviços pós-natais diminuíram significativamente em Gaza e as mulheres com complicações têm menos acesso aos cuidados de que precisam, assim como seus bebês.
Rick Brennan, diretor de Emergência da OMS para a região do Mediterrâneo Oriental, afirmou que a desnutrição é uma ameaça para os recém-nascidos, principalmente se as mães não puderem amamentar porque não há acesso a substitutos do leite materno.
O deslocamento e as constantes mudanças são perturbadores para os recém-nascidos e os expõem a riscos de infecção, acrescentou.
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