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Cultura

Atos isolados ajudaram a salvar pouco do acervo do Museu Nacional

Incêndio
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Tâmara Freire
03/09/2018 - 20:03
Rio de Janeiro

Graças a coragem de alguns funcionários do Museu Nacional nem todos os mais de 20 milhões de itens  que o local abrigava estão perdidos.

 

Durante a noite deste domingo e a madrugada de segunda enquanto o fogo avançava sobre o prédio histórico algumas pessoas arriscaram suas vidas para tentar salvar materiais raros essenciais para inúmeras pesquisas.

 

É o caso do professor de biologia Paulo Buckup, especialista em peixes, mas que entrou no prédio em chamas para salvar espécimes raras  de moluscos  descobertos por pesquisadores do museu.

 

Buckup conta que foi informado sobre o incêndio logo depois que ele começou por volta das sete e meia da noite de domingo e que ficou no local  entrando e saindo do prédio com materiais durante cerca de oito horas.

 

Apesar de não ter perdido material de pesquisa já que ele estava em outro edifício, o  biólogo diz que o incêndio destruiu exemplares de peixes em tamanhos que não existem mais na costa brasileira  e que estavam sendo preparados para exibição pública.

 

A perda também foi irreparável entre os itens que contam s histórias das populações. A curadora da ala africana do museu Mariza Soares  acredita que todo o material foi perdido.

 

A expectativa é a mesma do titular do Departamento de Etnologia, Antonio Carlos de Souza Lima que ressalta a preocupação que o Museu Nacional tinha em preservar itens que contam a história dos povos tradicionais brasileiros.

 

O Museu Nacional é ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro e tem uma verba anual de aproximadamente R$ 520 mil o que estava muito aquém do necessário. De acordo com o diretor do espaço, Alexander Kellner e ainda estava sendo contingenciado nos últimos anos.

 

Como o risco de incêndio já era conhecido há pelo menos 14 anos após recorrer os Ministérios da Cultura e da Educação.

 

A  instituição bateu as portas do BNDES em 2015 para obter um financiamento  de R$ 21 milhões  para obras de reforma, incluindo R$ 2,5 milhões para a instalação de um novo sistema de prevenção.

 

O repasse, no entanto, só foi aprovado em junho deste ano e a verba ainda não foi liberada por causa das restrições da legislação eleitoral.

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