Pesquisa revela que em 2022, mais de 4,2 mil pessoas morreram em ações policiais em oito estados. E que, a cada 100 mortos, 65 eram negros. Os dados são de um estudo realizado pela Rede de Observatórios da Segurança, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania.
E alguns números chamam atenção nessas estatísticas fornecidas pelas polícias do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Pernambuco, Ceará, Piauí, Maranhão e Pará. É que duas em cada três pessoas mortas pela polícia foram consideradas negras (pretas ou pardas) pelas autoridades policiais. Se consideradas apenas aquelas com cor/raça informada, a proporção chega a 87%.
A polícia baiana foi a mais letal em 2022. Registrou mais de mil e 400 mortes, sendo 95% negros. Uma porcentagem bem maior que a quantidade de negros na população total do estado, que é de 80%, segundo o IBGE.
Além da quantidade total de mortes por estado, uma discrepância ainda maior entre negros mortos e negros na população aparece em quase todos os estados pesquisados.
No Rio de Janeiro, por exemplo, 87% das vítimas policiais eram negras, enquanto a parcela dessa população é um pouco superior a 54%.
E esses dados não estão completos... O Maranhão não informou a cor/raça de qualquer um dos mortos. Já no Ceará e Pará, há um grande número de mortos sem identificação de cor/raça: 69% e 66%, respectivamente.
De acordo com o coordenador do estudo, Pablo Nunes, essa diferença é explicada pelo racismo estrutural e pela aceitação da sociedade em relação à violência praticada contra o povo negro. Isto porque, se não há dados para demonstrar o problema, é como se ele não existisse, acrescentou.
Segundo a Rede de Observatórios, o estudo demonstra o crescimento da letalidade policial contra pessoas negras.
A Secretaria de Segurança de São Paulo informou, por nota, que a PM obedece parâmetros técnicos. A Secretaria do Pará afirmou que, neste ano, reduziu de 22% as mortes por intervenção de agentes do Estado.
Já na Bahia, a justificativa é que as ações policiais são pautadas dentro da legalidade. No Rio, a assessoria de imprensa disse que a questão racial passa por toda formação dos policiais e que foi a primeira corporação a oferecer a pretos uma carreira de Estado. Hoje, mais de 40% do efetivo é composto por afrodescendentes.
As polícias dos outros estados ainda não se posicionaram.
*Com informações da Agência Brasil





