Elisa Babosa é de Goiânia, tem 24 e é mãe de uma menina de quatro. Este ano, realizou um aborto e ainda assim faz questão de se identificar. Ela diz que engravidou mesmo tomando pílula anticoncepcional, durante um relacionamento difícil que chegou ao fim. Hoje, Elisa é doula: apoia mulheres durante o nascimento dos filhos e defende o parto humanizado. Para ela, o fato de ter abortado não a faz menos mulher, nem menos humana.
Elisa é apenas mais uma entre as mulheres que interrompem a gestação. Como o aborto provocado é proibido no Brasil, elas recorrem a procedimentos caseiros ou a clínicas clandestinas, o que pode levar a complicações e até mesmo à morte. Muitas delas preferem não se identificar e temem ser julgadas por outras pessoas ou até pela família.
De acordo com o Ministério da Saúde, a interrupção da gravidez é a quinta causa de mortes maternas no país. Para a presidente do Movimento Brasil Sem Aborto e professora da Universidade de Brasília, Lenise Garcia, os casos de mulheres que morrem por conta do aborto clandestino não se resolvem com a legalização.
A Pesquisa Nacional do Aborto, realizada pela ANIS, Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, da Universidade de Brasília, aponta que uma em cada cinco mulheres já fez um aborto até os 40 anos. Para a professora da UnB e pesquisadora da ANIS, Débora Diniz, a descriminalização é a solução para o problema no Brasil.
No Código Penal brasileiro, o aborto é crime e quem pratica pode ser preso. Mas em três situações a interrupção da gravidez é permitida: quando não há outra forma de salvar a vida da mãe, quando a gravidez for resultante de estupro e, por determinação do Supremo Tribunal Federal, em caso de anencefalia, quando exames comprovam que o feto não desenvolveu o cérebro.
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