A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura - FAO - alerta, em seu novo relatório, para as consequências da pandemia do novo coronavírus na América Latina e no Caribe. A região, que observou uma piora na segurança alimentar nos últimos anos, deve ter aumento da fome e da pobreza.
A América Latina e o Caribe produzem e têm reservas suficientes para alimentar de forma adequada os seus habitantes nos próximos meses. Para a FAO, no entanto, o principal risco no curto prazo é não conseguir garantir o acesso à alimentação aos mais vulneráveis, que estão cumprindo as medidas de segurança sanitária e em muitos casos, perderam sua principal fonte de renda.
Em 2020, o número de pessoas pobres na região deve passar de 186 para 214 milhões, enquanto o número de pessoas em extrema pobreza poderá passar de de 83 milhões. As estimativas são da Comissão Econômica para América Latina e Caribe, a CEPAL.
A previsão para 2020 é de queda de 5,2% na economia da América do Sul e 2,5% no Caribe. O Brasil deve sofrer retração de 5,2%. De acordo com o relatório, a expressão mais extrema da insegurança alimentar é a fome, que em 2018 afetou 42 milhões e meio de pessoas na região.
Os efeitos da disseminação do novo coronavírus na segurança alimentar vão variar de acordo com as estratégias de saúde desenvolvidas em cada um dos países e serão mais profundos quanto maior for a ausência de políticas complementares. As limitações orçamentárias, os desafios logísticos e a urgência da situação exigem iniciativas de alto impacto dos governos nacionais.
A FAO afirma que a região deve iniciar estratégias "pós-Covid-19" o mais rápido possível, para retomar o caminho do crescimento sustentável. O organismo também recomenda a reativação do Plano de Segurança Alimentar e Nutricional e o fortalecimento de acordos políticos para impulsionar o comércio de alimentos entre os países da região.
Na caso específico do Brasil, o documento reforça a importância de assegurar a continuidade das merendas oferecidas aos estudantes que participam dos programas de alimentação escolar. O relatório também sugere a entrega de alimentos para as comunidades e territórios mais vulneráveis.
E para garantir a oferta de alimentos, a FAO recomenda facilitar o transporte e o acesso econômico a insumos como sementes e fertilizantes. O relatório também destaca a importância de manter o comércio mundial aberto, para evitar mudanças nos preços ou reduções na oferta de alimentos.