Lula diz que vai trabalhar por acordo Mercosul-Japão ainda este ano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou na manhã desta quinta-feira (27/3) em Hanói, capital do Vietnã, para uma série de encontros sobre cooperação econômica, fluxo de comércio e investimentos. O trecho da viagem faz parte do giro pela Ásia, que começou no Japão, onde Lula se reuniu com empresários, com o Imperador Naruhito e com o primeiro-ministro Shigeru Ishiba.
Ao deixar o Japão, Lula fez um balanço da viagem. Falou sobre os acordos firmados em diversas áreas e reforçou que vai trabalhar para que haja um acordo Mercosul-Japão ainda este ano. Negociações que ficarão para o segundo semestre, quando o Brasil assume a presidência temporária do bloco.
Lula falou, ainda, sobre a exportação da carne bovina brasileira para os japoneses. Negociação que já dura 20 anos e que, agora, segundo o presidente, está perto de um desfecho.
“O que eu ouvi do primeiro-ministro é que ele vai o mais rápido possível mandar os especialistas dele para analizar o rebanho brasileiro e depois vamos ver se eles vão tomar a decisão. O dado concreto é que nós vendemos uma carne de muita qualidade e a carne mais barata de todos os países.”
O presidente também foi questionado sobre a nova sobretaxa de 25% do governo dos Estados Unidos. Dessa vez, sobre os carros importados que chegam por lá.
“Eu, sinceramente, não sei qual é o benefício de você aumentar em 25% os carros comprados do Japão. Ou seja, única coisa que eu sei é que ficar mais caro pro povo americano comprar. E esse mais caro pode resultar no aumento da inflação. E esse aumento da inflação significa aumento de juros. O aumento de juros significa contenção da economia. Então eu não prevejo um quadro positivista nessa política de aumento de taxação.”
Lula voltou a afirmar que o governo brasileiro vai recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para reverter a taxação de 25% sobre o aço e o alumínio. Medida que prejudica diretamente o Brasil. Ele ainda defendeu a reciprocidade.
“Nós temos duas decisões a fazer. Uma é recorrer na Organização Mundial do Comércio, que nós vamos recorrer. E a outra é a gente sobretaxar os produtos americanos que nós importamos. É colocar em prática a lei da reciprocidade. Não dá pra gente ficar quieto achando que só eles têm razão e que só eles podem taxar outros produtos.”
Reciprocidade que, segundo Lula, só será colocada em prática se a queixa na OMC não dê resultado.




