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Saúde

História Hoje: há 24 anos morria a psiquiatra Nise da Silveira

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História Hoje
30/10/2023 - 09:25
Brasília

“Só os loucos e os artistas podem me compreender”. A frase célebre é da psiquiatra brasileira Nise da Silveira, que morreu aos 94 anos em 30 de outubro de 1999. Em meados dos anos 40 e 50, a médica apresentou uma proposta diferente para tratar pacientes psiquiátricos, sugerindo o uso da arte ao invés de choques elétricos e castigos físicos.

Nise da Silveira nasceu em 15 de fevereiro de 1905, em Alagoas. Filha de um jornalista e uma pianista, trilhou caminho na área da saúde. Estudou na Faculdade de Medicina da Bahia. Na formatura, era a única mulher em uma turma com 157 homens, tornando-se uma das primeiras mulheres formadas em medicina no Brasil.

Foi na faculdade que Nise conheceu seu marido, o sanitarista Mário Magalhães da Silveira. Com ele, mudou-se para o Rio de Janeiro na década de 30 e se especializou na psiquiatria. Foi aprovada em concurso público em 1933 e passou a trabalhar no Hospício Nacional de Alienados, na Praia Vermelha.

Em 1936, foi presa por ser considerada comunista. Na prisão, conheceu o escritor e conterrâneo Graciliano Ramos e acabou citada pelo autor no livro Memórias do Cárcere, publicado em 1953.

Mesmo depois de liberada, só foi readmitida no serviço público em 1944. A psiquiatra achava horrível a forma como os pacientes eram tratados no sistema de saúde mental e desenvolveu um novo projeto.

Em 1946, inaugurou a seção de terapêutica ocupacional e reabilitação, no Centro Psiquiátrico Nacional. Em parceria com o artista plástico Almir Mavignier, promoveu o tratamento através da arte. No lugar de medicamentos, a receita era pintar. Transformou o centro de internação em um verdadeiro ateliê e se tornou pioneira na terapia ocupacional.

Para dar visibilidade aos trabalhos dos pacientes, nasceu o Museu do Inconsciente, em 1952. Quatro anos depois, com a ajuda de amigos, Nise fundou a Casa das Palmeiras, uma instituição de saúde sem fins lucrativos. Ainda em funcionamento, o local oferece tratamento humanizado, onde a produção artística é a base da terapia.

Nise da Silveira considerava o uso de remédios como uma camisa de força química. Em sua trajetória profissional, abriu as celas que antes confinavam os pacientes e deu atividades para eles. Chamava os pacientes para tomar café e mandava fazer bolo para recebê-los no consultório.

Foi uma mulher capaz de retirar as próprias meias que calçava para fazer uma bola e dar aos internos um motivo para brincar.

História Hoje é um quadro da Rádio Nacional publicado de segunda a sexta-feira na Radioagência Nacional. Ele rememora acontecimentos marcantes e curiosidades de cada dia do ano. Acesse todos os episódios aqui.

História Hoje

Produção: Beatriz Evaristo

Sonoplastia: Messias Melo

Apresentação: Márcia Dias

Publicação Web: Renata Batista  

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